segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016


"maybe we feel empty because we leave pieces of ourselves in everything we used to love."



quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

et

às vezes sinto-me um ser completamente à parte. não que me sinta desintegrada ou diferente, porque a maior parte das vezes claramente não é isso que acontece. a maior parte das vezes não tenho que tentar convencer-me de que sou comum, mais um ser humano como outro qualquer. que chora. que sofre. que ri, canta e dança. que pensa e sente. sente mais do que pensa, a maior parte do tempo.

já todos tivemos grandes desilusões, falsas esperanças, amores estagnados, histórias que sentimos deixar por acabar. já todos fomos melodramáticos ao ponto de pensar que era o fim do mundo e que nada podia magoar mais... claramente que todos nós nos enganámos. dizem que a forma como uma pessoa lida com a dor pode ser o que a define. olho para algumas pessoas e desejo saber como é que elas fazem para reagir tão bem aos problemas. como é que souberam ser mais racionais que emocionais e lidar com a dor? foi o tempo que lhes ensinou isso? a experiência? 

a melhor forma de me descrever é dizer que vivo em plenitude. talvez por vezes não tenha aproveitado a 100%... por medo, insegurança ou por racionalidade. mas quando arrisco, os meus sentimentos são levados ao extremo. a minha felicidade é plena. a minha tristeza também. e meu deus, que saudades tenho de me sentir plena e feliz. nessas alturas é demasiado fácil. a felicidade é sempre superior. as mágoas existem mas sou capaz de as relativizar. porque é que me esqueço de o fazer quando a tristeza me abraça? 

não, não é o fim do mundo. eventualmente passa. tudo passa. comboios, autocarros, os anos, as pessoas. e se um transporte não nos leva até ao destino final, então há outro para apanhar. e talvez eu me esqueça disto vezes demais. mas talvez para alguns de vocês isto seja de longe bem mais simples, e que saber isto significa que dói menos e que estou a prosseguir. mas desde quando é que dizer a uma criança que a ferida vai passar a fez chorar menos? desde quando é que "não ser o fim do mundo" leva alguém a andar mais depressa? 

eu sempre defendi que o tempo é relativo: há coisas que não são mensuráveis. já lá vão 3 meses. e se 3 meses parecem tão pouco para quem vive a plenitude da felicidade, parecem uma eternidade para quem vive o auge da tristeza. seria de esperar que 3 meses já tivessem alterado alguma coisa? será que sou só eu que acho que é normal não estar a corresponder às expectativas? sou mesmo um ser à parte... e odeio ser. 

domingo, 22 de novembro de 2015

Odeio estas noites em que a minha falta de auto-estima me consome e me tenta culpar por todas as vezes em que algo falhou na minha vida. É fácil pôr as culpas nos outros. É fácil dizer que eles é que não me mereciam, que eles é que estiveram mal, que eles é que cometeram erros comigo. Mas quando chega a altura de avaliar a situação, a minha fragilidade consome-me e diz-me “A culpa foi tua”. E a verdade é que às vezes até acredito nisso.

Por melhor que eu aja, por mais boa pessoa que tente ser nunca ninguém corresponde àquilo que eu espero ter. Perdi a conta ao número de vezes que tive de me questionar “mas eu não mereço?”, sentindo uma injustiça tão grande. Porque é que alguém merece mais que eu? Por ser melhor pessoa? Por ter cometido menos erros? Por exigir menos?

Será por amar demais? Por sentir demais? Por pedir demais? Serei tão exigente para com os outros como sou para mim mesma? Não gosto de sentir que as pessoas sentem qualquer tipo de pressão da minha parte. Peço pouco, e o pouco que peço é demais. Ninguém tem o direito de nos fazer sentir valer menos do que aquilo que na realidade valemos. E eu não tinha o direito de exigir tanto de quem pode dar tão pouco…

Estou farta de ser temporária para as pessoas. Farta de sentir mais do que qualquer outra, de me magoar mais. Saboreio a plenitude de todos os sentimentos e nestas fases isso é o pior que me podia acontecer. Estou farta de ser frágil e que as pessoas pensem que não quebro se cair. Já quebrei vezes de mais e às vezes os cacos já teimam em colar.


Continuo pela madrugada fora avaliar que características me faltam para merecer tanto ou mais do que aquilo que dou. E não percebo. E não mereço. E adormeço… A pensar o que podia ter feito melhor, mas não fiz.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

“When you lose someone who’s your home, you know, you’re only home in the world. And when that happens you think, oh fuck I should have had a back-up home. Another person, a place, a thing, something to make me feel safe, and I don’t have that. And now I’m lost.”


Completly lost.

terça-feira, 7 de abril de 2015



sábado, 21 de março de 2015

equinócio da primavera

hoje li mais de 600 páginas escritas por ti. mais de 50 mil palavras. 246 dias transformados em memórias que posso guardar fora da cabeça, mas dentro do coração. sou apaixonada por essas palavras desde a primeira vez que as li, sou apaixonada pela sensação que elas me trazem. conforto e segurança a um pequeno coração como o meu. um conforto e segurança que julgava já não conhecer.
o meu problema é sempre esse: habituo-me a não sentir as coisas. deixo que o meu corpo se habitue à sensação de não sentir mais nada, e de como essa sensação é tão boa e tão má. é tão bom não sentir mais nada mas é tão mau não sentir mais nada... 
tu foste o depois do não sentir. sente-se, deixa-se de sentir e quando menos se espera, volta-se a sentir. tu és essa parte da história. sem saber como nem porquê, tornaste-te na parte da história que eu mais gosto. a minha parte preferida.
ainda hoje não posso contar as vezes que li e reli as nossas conversas, perdi-lhes a conta. gosto de saber de cor exatamente o que responderias e imaginar novamente a sensação de ler aquelas palavras pela primeira vez. ainda que com lacunas, gosto de imaginar aqueles dias quentes de verão em que estive perto de ti. quem diria que eu viria a dar tanta importância a essas memórias! quem diria que eu ia acabar a escolher-te como a minha parte favorita da história?
tenho saudades tuas. não pensei vir a ter tantas, mas tenho. e tenho pena que a nossa relação seja desequilibrada ao ponto de achar que só a mim é que isso faz confusão, que só a mim é que esta história fez diferença. eu não te culpo, mas também não sou culpada. sei que fiz tudo o que estava ao meu alcance por manter o equilíbrio, e que talvez outras circunstâncias permitissem que o barco flutuasse por mais tempo. 
passaram-se 251 dias desde a primeira vez que te vi e eu ainda não sei o que é não sentir, depois de (te) ter sentido. foste o depois do não sentir mais bonito que alguma vez tive. foste a minha parte favorita da história. apesar de tudo, obrigada por isso.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Dia do Pensamento

O escotismo é uma parte muito importante da minha vida e não imagino como é que esta seria se nunca tivesse entrado para o movimento. Não imagino a quantidade de coisas que teriam ficado por aprender, nem como seria a minha vida se nunca tivesse conhecido algumas das pessoas que conheci através do escotismo. Não imagino sequer a quantidade de viagens que não teria feito, ou o número de locais maravilhosos que nunca teria visitado se não fosse escoteira. É impossível de apagar a marca que o escotismo tem deixado na minha vida ao longo de todos estes anos.

Há muitas coisas que o escotismo me deu que provavelmente nunca teria tido se não fosse através do movimento. Mas também há muitas coisas pelas quais abdiquei ou até mesmo que troquei pelo escotismo e muito sinceramente não sinto nem um pingo de arrependimento. É claro que é chato chegar de uma atividade e perceber que por mais cansada que esteja, a matéria do teste que tenho na segunda às 8h da manhã não vai ficar sabida se eu não estudar. É chato acordar cedo para ir para uma atividade andar uma data de km, quem sabe à chuva e ao frio. Mas podem ter a certeza que não trocava nada disso por uma tarde de ronha no sofá, ou por qualquer outra coisa que possa passar na cabeça de uma pessoa que está habituada a acordar tarde ao fim-de-semana ou que não imagina o que é passar um sábado fora de casa, sem ser agarrado à TV ou ao computador. Garanto-vos que por mais chato que vos possa parecer abdicar de algumas coisas boas para ir aos escoteiros, não o é. São inúmeras as razões pelas quais não trocaria um sábado nos escoteiros por qualquer outra coisa.

Por muito que possam pensar que os escoteiros são mais uma daquelas atividades para que todos nós já entrámos alguma vez, como natação, atletismo ou futebol, são coisas incomparáveis. Os escoteiros aprendem uma data de nós, fazem vários km em caminhadas e carregam mochilas exageradamente pesadas às costas, mas há muito mais por trás disso que a maior parte das pessoas não vê. Há valores que nos são ensinados, há todo um mundo de “coisas abstratas” que ninguém pode ver, e que nós aprendemos e ensinamos nos escoteiros. Amizade, altruísmo, lealdade, pureza, entre muitos outros que não vou referir.

Sinto-me extremamente grata por tudo o que pude e continuo a poder aprender semana após semana, ano após ano, no ambiente escotista. Por todas as experiências que me foram proporcionadas, por todos os sentimentos e emoções que se criaram à volta dessas mesmas experiências. Há toda uma lista infindável de coisas que são vividas nos escoteiros que só mesmo quem foi ou que ainda é escoteiro sabe o quão importantes são, para cada um de nós.

Devo muito daquilo que sou hoje ao escotismo. A pessoa que sou quando não estou de calções, camisa, botas e lenço ao peito cresceu muito à volta do movimento escotista. E de todas as maneiras pelas quais eu podia aprender certas coisas, ainda bem que aprendi rodeada por outros escoteiros: mais velhos, mais novos, da minha idade. Ainda bem que o escotismo entrou na minha vida, e ainda bem que por isso tenha percebido que no fundo, aconteça o que acontecer, também nunca sairá.


E hoje, no aniversário de Baden Powell, fundador do escotismo, prestamos-lhe esta homenagem. Refletimos sobre a importância que aquilo que ele criou tem para nós. Neste enorme movimento, do qual faço parte e sinto muito orgulho por isso! Pensamos no nosso Compromisso de Honra e nas respetivas Leis de Escoteiro, e em como este tem influência nas pessoas que somos fora do uniforme, todos os dias da semana, sem um lenço ao peito. O escotismo deixa marcas que nunca se podem apagar (não estou a falar de cicatrizes, ainda que essas também cá estejam). O escotismo fez-me crescer em vários aspetos e não tenho palavras para descrever como estou grata por isso.

E tal como diria BP "A melhor maneira de ser feliz é contribuir para a felicidade dos outros.". Espero que o escotismo continue a contribuir para a minha e espero continuar a contribuir para a de muitos outros escoteiros.

Feliz Dia do Pensamento!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

querido coração,

desta é que eu não estava à espera. não esperava acabar aqui a escrever sem saber bem para quem, porque sinceramente não sei quem hei-de culpar por mais uma desilusão. a culpa é minha? tua? do tempo? do espaço? querido coração, não esperava que me enganasses desta vez. esperava que desta vez fosses justo... eu acreditava que as coisas estavam a ir por um bom caminho. 

afinal, porque é que não foram? o que é que eu fiz? o que é que tu fizeste? a culpa é minha? é tua? quando vou ter respostas? ou vou continuar a criar questões? porquê? porque sim? porque não?

passam-me 1001 pensamentos pela cabeça e continuo sem compreender porque é que me fizeste isto, coração. não consigo compreender o que é que mudou de um dia para o outro. nem porquê. não sinto que te tenha dado motivos para me desiludires assim, e muito menos para fingires que eu não existo. 
eu existo. eu continuo aqui. e tu coração, para onde foste? quando voltas?

não percebo porque é que foges, não sei para onde vais, nem porque não voltas. para quê tantas voltas? eu só queria que me dissesses que vais parar de dar voltas e ficar por aqui, comigo. estou farta que fujas de mim, coração. não percebo porque o fazes.

onde está a carta que não chegou? escreveste-a, sequer?

talvez sejas um coração independente, e eu me tenha enganado (redondamente).

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

give a little time to me

não sei bem até que ponto as coisas mudam. antes costumava pensar que o mundo dependia da mudança, das voltas de 180 graus que a vida dá. mas... quantas voltas são precisas para chegar onde quero?
admito que não queria mesmo nada ter que estar a escrever aqui. não tencionava ter que  voltar a falar de algo que já me moveu tanto como os ventos movem o pólen das flores e o levam a pousar a km de distância daquilo a que chamavam "casa". mas a verdade é que me enganei, o mais redondamente possível. juro que acreditava que as coisas iam mudar - e chamem-me ingénua ou não - pensava sinceramente que eram para melhor. mas agora sinto-te tão distante como o céu está de mim, e custa. custa não poder voar para alcançar esse "céu" que à tanto tempo quero. custa pensar que estás a um degrau da meta e depois tropeças e cais 2. custa principalmente não te ter sabendo que já fiz tudo o que podia e não podia para te provar o quanto te amo.
estou tranquila e nada arrependida de todas as provas de amor que te dei. só tenho pena que não as possas ter compreendido, pena que o meu melhor não seja suficiente para ti. tenho até pena que só o meu amor não chegue, e que a tua falta de amor seja tanta.
mas ainda assim questiono o que é que teria mudado. o que é que te teria feito ficar comigo, como sempre quis. e realmente há algumas conclusões que consigo tirar no meio  disto tudo. o que quer que "disto tudo" seja, porque eu já perdi a noção.
eu só queria poder recomeçar contigo, sabes? há tanta coisa que eu teria mudado e tu nem sabes. e o pior é saber que algumas dessas coisas teriam alterado tudo aquilo que se passou entre nós. melhor ou pior, as coisas nunca teriam chegado a este ponto, ou corrido desta maneira.
quem me dera que o tempo voltasse atrás (...)

terça-feira, 4 de junho de 2013

怀旧之情

matar saudades? penso que isso não funciona assim. as saudades é que nos matam a nós. e o mais estranho, o mais incrivelmente estúpido é que dói, dói muito, mas quando as saudades nos mataram, ainda não acabou. elas já nos destruíram, mas nós continuamos vivos. isso é o que dói mais, saber que já não há mais nada a fazer e, ao mesmo tempo, tanto. o mais difícil são as saudades que nos matam, porque elas nos deixam incapazes perante um sentimento ao qual temos que reagir.
ter saudades não é fácil, mas mais difícil é não poder fazer nada para as matar. mais difícil é ter que esperar que elas nos matem a nós.