Odeio estas noites em que a minha falta de auto-estima me
consome e me tenta culpar por todas as vezes em que algo falhou na minha vida. É
fácil pôr as culpas nos outros. É fácil dizer que eles é que não me mereciam,
que eles é que estiveram mal, que eles é que cometeram erros comigo. Mas quando
chega a altura de avaliar a situação, a minha fragilidade consome-me e diz-me “A
culpa foi tua”. E a verdade é que às vezes até acredito nisso.
Por melhor que eu aja, por mais boa pessoa que tente ser
nunca ninguém corresponde àquilo que eu espero ter. Perdi a conta ao número de
vezes que tive de me questionar “mas eu não mereço?”, sentindo uma injustiça
tão grande. Porque é que alguém merece mais que eu? Por ser melhor pessoa? Por
ter cometido menos erros? Por exigir menos?
Será por amar demais? Por sentir demais? Por pedir demais?
Serei tão exigente para com os outros como sou para mim mesma? Não gosto de
sentir que as pessoas sentem qualquer tipo de pressão da minha parte. Peço
pouco, e o pouco que peço é demais. Ninguém tem o direito de nos fazer sentir
valer menos do que aquilo que na realidade valemos. E eu não tinha o direito de
exigir tanto de quem pode dar tão pouco…
Estou farta de ser temporária para as pessoas. Farta de
sentir mais do que qualquer outra, de me magoar mais. Saboreio a plenitude de
todos os sentimentos e nestas fases isso é o pior que me podia acontecer. Estou
farta de ser frágil e que as pessoas pensem que não quebro se cair. Já quebrei
vezes de mais e às vezes os cacos já teimam em colar.
Continuo pela madrugada fora avaliar que características me
faltam para merecer tanto ou mais do que aquilo que dou. E não percebo. E não
mereço. E adormeço… A pensar o que podia ter feito melhor, mas não fiz.
Sem comentários:
Enviar um comentário