O escotismo é uma parte muito importante da minha vida e não
imagino como é que esta seria se nunca tivesse entrado para o movimento. Não imagino
a quantidade de coisas que teriam ficado por aprender, nem como seria a minha
vida se nunca tivesse conhecido algumas das pessoas que conheci através do
escotismo. Não imagino sequer a quantidade de viagens que não teria feito, ou o
número de locais maravilhosos que nunca teria visitado se não fosse escoteira. É
impossível de apagar a marca que o escotismo tem deixado na minha vida ao longo
de todos estes anos.
Há muitas coisas que o escotismo me deu que provavelmente
nunca teria tido se não fosse através do movimento. Mas também há muitas coisas
pelas quais abdiquei ou até mesmo que troquei pelo escotismo e muito
sinceramente não sinto nem um pingo de arrependimento. É claro que é chato
chegar de uma atividade e perceber que por mais cansada que esteja, a matéria
do teste que tenho na segunda às 8h da manhã não vai ficar sabida se eu não
estudar. É chato acordar cedo para ir para uma atividade andar uma data de km,
quem sabe à chuva e ao frio. Mas podem ter a certeza que não trocava nada disso
por uma tarde de ronha no sofá, ou por qualquer outra coisa que possa passar na
cabeça de uma pessoa que está habituada a acordar tarde ao fim-de-semana ou que
não imagina o que é passar um sábado fora de casa, sem ser agarrado à TV ou ao
computador. Garanto-vos que por mais chato que vos possa parecer abdicar de
algumas coisas boas para ir aos escoteiros, não o é. São inúmeras as razões
pelas quais não trocaria um sábado nos escoteiros por qualquer outra coisa.
Por muito que possam pensar que os escoteiros são mais uma
daquelas atividades para que todos nós já entrámos alguma vez, como natação,
atletismo ou futebol, são coisas incomparáveis. Os escoteiros aprendem uma data
de nós, fazem vários km em caminhadas e carregam mochilas exageradamente
pesadas às costas, mas há muito mais por trás disso que a maior parte das
pessoas não vê. Há valores que nos são ensinados, há todo um mundo de “coisas
abstratas” que ninguém pode ver, e que nós aprendemos e ensinamos nos
escoteiros. Amizade, altruísmo, lealdade, pureza, entre muitos outros que não
vou referir.
Sinto-me extremamente grata por tudo o que pude e continuo a
poder aprender semana após semana, ano após ano, no ambiente escotista. Por todas
as experiências que me foram proporcionadas, por todos os sentimentos e emoções
que se criaram à volta dessas mesmas experiências. Há toda uma lista infindável
de coisas que são vividas nos escoteiros que só mesmo quem foi ou que ainda é
escoteiro sabe o quão importantes são, para cada um de nós.
Devo muito daquilo que sou hoje ao escotismo. A pessoa que sou quando não estou de calções, camisa, botas e lenço ao peito cresceu muito à volta do movimento escotista. E de todas as
maneiras pelas quais eu podia aprender certas coisas, ainda bem que aprendi
rodeada por outros escoteiros: mais velhos, mais novos, da minha idade. Ainda bem
que o escotismo entrou na minha vida, e ainda bem que por isso tenha percebido
que no fundo, aconteça o que acontecer, também nunca sairá.
E hoje, no aniversário de Baden Powell, fundador do
escotismo, prestamos-lhe esta homenagem. Refletimos sobre a importância que
aquilo que ele criou tem para nós. Neste enorme movimento, do qual faço parte e
sinto muito orgulho por isso! Pensamos no nosso Compromisso de Honra e nas
respetivas Leis de Escoteiro, e em como este tem influência nas pessoas que
somos fora do uniforme, todos os dias da semana, sem um lenço ao peito. O
escotismo deixa marcas que nunca se podem apagar (não estou a falar de
cicatrizes, ainda que essas também cá estejam). O escotismo fez-me crescer em
vários aspetos e não tenho palavras para descrever como estou grata por isso.
E tal como diria BP "A melhor maneira de ser feliz é contribuir para a felicidade dos outros.". Espero que o escotismo continue a contribuir para a minha e espero continuar a contribuir para a de muitos outros escoteiros.
Feliz Dia do Pensamento!
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