“Daniela, queres ler?” por momentos parei. Olhei em volta e um pouco desconfortável, disse: sim. Mal eu sabia que iria ser a leitura que me iria estragar o resto do dia, ou pelo menos, torná-lo pior do que os outros. Li o texto, tentando concentrar-me apenas nele e na leitura, mas não consegui. Todas as palavras que tinha escrito e que agora estava a ler, me faziam relembrar memórias que eu não queria relembrar. Pelo menos não ali. Quando finalmente estava a terminar, achei que tinha acabado de ultrapassar mais um obstáculo, mas enganei-me redondamente. Mal acabei de ler o texto, as lágrimas insistiram em cair e eu desatei a chorar. Naquele momento, todas as palavras que me dissessem só fariam pior. Entretanto, ouvi um grande elogio da professora, mas não consegui agradecer. Não tive coragem de o fazer, porque sei que todos aqueles textos estavam escritos daquela maneira exacta devido a algo que me faz chorar, e isso não merece qualquer elogio, e traz-me uma grande revolta, muito sinceramente.
Á minha volta, continuavam todos a pedir para me acalmar, mas eu não consegui. Precisava de mais tempo, precisava que tu fosses lá e me limpasses as lágrimas, mas sabia que isso não iria acontecer, e que eu tinha que me acalmar, custasse o que custasse.
Finalmente, depois de muitos pedidos e tentativas de me fazer sorrir, acabei por ceder ao meu coração e parei. Só queria que aquela aula acabasse, ou pelo menos que passasse mais depressa, porque depois daquilo, todo o resto do meu dia passou a um inferno... agora, só espero que dias como este não se voltem a repetir, porque amanhã é outro dia!

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